A HORA DO CANSAÇO
As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gozo acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.
bem-vindo/ bienvenido/ welcome
11 novembro, 2013
22 junho, 2012
Milton Nascimento - Promessas do sol
"Você me quer forte
E eu não sou forte mais
Sou o fim da raça, o velho que se foi
Chamo pela lua de prata pra me salvar
Rezo pelos deuses da mata pra me matar
Sou o fim da raça, o velho que se foi
Chamo pela lua de prata pra me salvar
Rezo pelos deuses da mata pra me matar
Você me quer belo
E eu não sou belo mais
Me levaram tudo que um homem podia ter
Me cortaram o corpo à faca sem terminar
Me deixaram vivo, sem sangue, apodrecer
E eu não sou belo mais
Me levaram tudo que um homem podia ter
Me cortaram o corpo à faca sem terminar
Me deixaram vivo, sem sangue, apodrecer
Você me quer justo
E eu não sou justo mais
Promessas de sol já não queimam meu coração
Que tragédia é essa que cai sobre todos nós?
Que tragédia é essa que cai sobre todos nós?" M.N.- promessas de sol
E eu não sou justo mais
Promessas de sol já não queimam meu coração
Que tragédia é essa que cai sobre todos nós?
Que tragédia é essa que cai sobre todos nós?" M.N.- promessas de sol
30 maio, 2012
22 maio, 2012
23 abril, 2012
SOL EM AQUÁRIO, ASCENDENTE EM ÁRIES – O PIONEIRO
Decididamente, Gláucia, você pensa em termos de uma realidade maior do que apenas a sua própria. De uma forma bem objetiva, a combinação de Aquário solar com Áries ascendente configura uma natureza voltada para questões sociais mais amplas, alguém que compreende de forma instintiva que uma floresta só pode ser verde se todas as árvores forem verdes.
Seu desejo de mudar o mundo, entretanto, pode ter algo de irrealista. Sua boa vontade dava pra preencher todo o Céu, Gláucia, mas é preciso trabalhar com bases realistas. De todo modo, você tem um excelente sentido social e pode vir a ser um líder de grupo, ou batalhar por causas sociais, trabalhando com ONGs ou sendo voluntário em causas ecológicas e sociais.
Você enxerga adiante, Gláucia, e por isso mesmo pode lhe parecer difícil lidar com o fato de que nem todo mundo compreende as coisas da forma como você vê. Muitas vezes o nosso mundo lhe parece uma terra de bárbaros, um mundo primitivo, pois você percebe como as coisas poderiam ser. Isso pode lhe garantir uns bons acessos de rabugice e de surtos de "gênio incompreendido". Entretanto, é preciso encarar as coisas como elas são, a fim de poder transformá-las. Como você tem o poder de inspirar os outros, pode se fazer valer desta força para despertar as pessoas e mostrar pra elas que a vida é mais do apenas seus próprios umbigos.
entendeu agora?
Decididamente, Gláucia, você pensa em termos de uma realidade maior do que apenas a sua própria. De uma forma bem objetiva, a combinação de Aquário solar com Áries ascendente configura uma natureza voltada para questões sociais mais amplas, alguém que compreende de forma instintiva que uma floresta só pode ser verde se todas as árvores forem verdes.
Seu desejo de mudar o mundo, entretanto, pode ter algo de irrealista. Sua boa vontade dava pra preencher todo o Céu, Gláucia, mas é preciso trabalhar com bases realistas. De todo modo, você tem um excelente sentido social e pode vir a ser um líder de grupo, ou batalhar por causas sociais, trabalhando com ONGs ou sendo voluntário em causas ecológicas e sociais.
Você enxerga adiante, Gláucia, e por isso mesmo pode lhe parecer difícil lidar com o fato de que nem todo mundo compreende as coisas da forma como você vê. Muitas vezes o nosso mundo lhe parece uma terra de bárbaros, um mundo primitivo, pois você percebe como as coisas poderiam ser. Isso pode lhe garantir uns bons acessos de rabugice e de surtos de "gênio incompreendido". Entretanto, é preciso encarar as coisas como elas são, a fim de poder transformá-las. Como você tem o poder de inspirar os outros, pode se fazer valer desta força para despertar as pessoas e mostrar pra elas que a vida é mais do apenas seus próprios umbigos.
entendeu agora?
09 abril, 2012
"...Cause the World it's inside of me
Yo creo en mí
Y en mi manera de decir
Lo que pienso
Yo creo en mí
Y en mi manera de sentir
Lo que siento
Yo creo en mí
Y en mi manera de pensar
En lo que digo
Yo creo en mí, en tí, en mí
Y en tí y en mí
A mi manera
Tira corazón
Que él que gusto da
Placer se lleva"..."
Yo creo en mí
Y en mi manera de decir
Lo que pienso
Yo creo en mí
Y en mi manera de sentir
Lo que siento
Yo creo en mí
Y en mi manera de pensar
En lo que digo
Yo creo en mí, en tí, en mí
Y en tí y en mí
A mi manera
Tira corazón
Que él que gusto da
Placer se lleva"..."
07 abril, 2012
27 março, 2012
samba a quem me queira amar
"Quien me quiera amar,
Amará tambien lo peor de mi, con ardor"
Não dá mais pra fazer um samba pra
você me fez perder a nota lá
eu estava até pensando que iria dar
pensando que iria, iria, iria chegar
em algum lugar...
Cheguei, cheguei, cheguei mas eu não vi
eu estou, eu estou, eu estou aqui
sambei, sambei, sambei e não sai
e nem foi tanto assim, diminui
porque não dá pra fazer samba pra
quem ta pensando que conseguiu roubar
minha nota lá
agora eu vou fazer um samba pra
quem ta querendo e me querendo amar
tem que saber, saber, saber cantar
tem que saber, saber, saber dançar
sambei, sambei, sambei e já sai
eu to por cima pra poder voar
cê ta por baixo eu não estou nem aí
agora eu quero saber... se eu posso mentir?
16 março, 2012
12 março, 2012
04 março, 2012
18 junho, 2011
Sobre Fernando Pessoa
Por José Saramago
"Era um homem que sabia idiomas e fazia versos. Ganhou o pão e o vinho pondo palavras no lugar de palavras, fez versos como os versos se fazem, como se fosse a primeira vez. Começou por se chamar Fernando, pessoa como toda a gente. Um dia lembrou-se de anunciar o aparecimento iminente de um super-Camões, um camões muito maior que o antigo, mas, sendo uma pessoa conhecidamente discreta, que soía andar pelos Douradores de gabardina clara, gravata de lacinho e chapéu sem plumas, não disse que o super-Camões era ele próprio. Afinal, um super-Camões não vai além de ser um camões maior, e ele estava de reserva para ser Fernando Pessoas, fenómeno nunca visto antes em Portugal. Naturalmente, a sua vida era feita de dias, e dos dias sabemos nós que são iguais mas não se repetem, por isso não surpreende que em um desses, ao passar Fernando diante de um espelho, nele tivesse percebido, de relance, outra pessoa. Pensou que havia sido mais uma ilusão de óptica, das que sempre estão a acontecer sem que lhes prestemos atenção, ou que o último copo de aguardente lhe assentara mal no fígado e na cabeça, mas, à cautela, deu um passo atrás para confirmar se, como é voz corrente, os espelhos não se enganam quando mostram. Pelo menos este tinha-se enganado: havia um homem a olhar de dentro do espelho, e esse homem não era Fernando Pessoa. Era até um pouco mais baixo, tinha a cara a puxar para o moreno, toda ela rapada. Com um movimento inconsciente, Fernando levou a mão ao lábio superior, depois respirou fundo com infantil alívio, o bigode estava lá. Muita coisa se pode esperar de figuras que apareçam nos espelhos, menos que falem. E porque estes, Fernando e a imagem que não era a sua, não iriam ficar ali eternamente a olhar-se, Fernando Pessoa disse: “Chamo-me Ricardo Reis”. O outro sorriu, assentiu com a cabeça e desapareceu. Durante um momento, o espelho ficou vazio, nu, mas logo a seguir outra imagem surgiu, a de um homem magro, pálido, com aspecto de quem não vai ter muita vida para viver. A Fernando pareceu-lhe que este deveria ter sido o primeiro, porém não fez qualquer comentário, só disse: “Chamo-me Alberto Caeiro”. O outro não sorriu, acenou apenas, frouxamente, concordando, e foi-se embora. Fernando Pessoa deixou-se ficar à espera, sempre tinha ouvido dizer que não há duas sem três. A terceira figura tardou uns segundos, era um homem daqueles que exibem saúde para dar e vender, com o ar inconfundível de engenheiro diplomado em Inglaterra. Fernando disse: “Chamo-me Álvaro de Campos”, mas desta vez não esperou que a imagem desaparecesse do espelho, afastou-se ele, provavelmente tinha-se cansado de ter sido tantos em tão pouco tempo. Nessa noite, madrugada alta, Fernando Pessoa acordou a pensar se o tal Álvaro de Campos teria ficado no espelho. Levantou-se, e o que estava lá era a sua própria cara. Disse então: “Chamo-me Bernardo Soares”, e voltou para a cama. Foi depois destes nomes e alguns mais que Fernando achou que era hora de ser também ele ridículo e escreveu as cartas de amor mais ridículas do mundo. Quando já ia muito adiantado nos trabalhos de tradução e poesia, morreu. Os amigos diziam-lhe que tinha um grande futuro na sua frente, mas ele não deve ter acreditado, tanto assim que decidiu morrer injustamente na flor da idade, aos 47 anos, imagine-se. Um momento antes de acabar pediu que lhe dessem os óculos: “Dá-me os óculos” foram as suas últimas e formais palavras. Até hoje nunca ninguém se interessou por saber para que os queria ele, assim se vêm ignorando ou desprezando as últimas vontades dos moribundos, mas parece bastante plausível que a sua intenção fosse olhar-se num espelho para saber quem finalmente lá estava. Não lhe deu tempo a parca. Aliás, nem espelho havia no quarto. Este Fernando Pessoa nunca chegou a ter verdadeiramente a certeza de quem era, mas por causa dessa dúvida é que nós vamos conseguindo saber um pouco mais quem somos."
"Esta entrada foi publicada em Outubro 5, 2008 às 10:32 pm e está arquivada em O Caderno de Saramago. Pode seguir as respostas a esta entrada através do feed de RSS 2.0. Tanto os comentários como os pings estão actualmente fechados."
25 março, 2011
PESAR DO MUNDO
"pesar de tudo
pesar do peso
pesar do mundo
sobre si mesmo
pesar de nuvem
pesar de chumbo
pesar de pluma
pesar do mundo
desponta estrela
no vão imenso
por ti suspenso
à tua espera
pesar do peso
pesar do mundo
sobre si mesmo
pesar de nuvem
pesar de chumbo
pesar de pluma
pesar do mundo
desponta estrela
no vão imenso
por ti suspenso
à tua espera
tudo se afronta
pedra com pedra
a própria onda
quando se quebra
a melodia
onde me leva
onde alivia
onde me pesa
tudo se agita
durante a queda
o que sustenta
a nossa terra?
pedra com pedra
a própria onda
quando se quebra
a melodia
onde me leva
onde alivia
onde me pesa
tudo se agita
durante a queda
o que sustenta
a nossa terra?
e nesse quando
somente um ritmo
peso e balanço
um som legítimo
canção sem medo
de você pra mim
ó meu segredo
te rezo assim:
desde o princípio
ao ponto cego
eu arremesso
um eco sem fim"
somente um ritmo
peso e balanço
um som legítimo
canção sem medo
de você pra mim
ó meu segredo
te rezo assim:
desde o princípio
ao ponto cego
eu arremesso
um eco sem fim"
( José Miguel Wisnik/Paulo Neves)
20 março, 2011
bravíssimo!
que bonito o álbum AMÁLIA HOJE! - Nuno Gonçalves, Sónia Tavares (ambos dos The Gift), Paulo Praça (Plaza, Turbojunkie) e Fernando Ribeiro (Moonspell)
a liberdade com que Fernando Ribeiro passa, do 'heavy metal, metal gótico' (que é o termo utilizado pelos classificadores) ao fado, é poética. fora esse o objetivo, ou não fora, assim deveria ser um simples sempre, e as faces de todos revelariam lindas livres des surpresas...
a liberdade com que Fernando Ribeiro passa, do 'heavy metal, metal gótico' (que é o termo utilizado pelos classificadores) ao fado, é poética. fora esse o objetivo, ou não fora, assim deveria ser um simples sempre, e as faces de todos revelariam lindas livres des surpresas...
17 março, 2011
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