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20 fevereiro, 2009

As aparências enganam

(de Sérgio Natureza/Tunai)


As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são o alimento,
o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação dos tempos idos de comunhão,
sonhos vividos de conviver
.
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
não há mais forma de se aquecer,
não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer,
senão chorar sob o cobertor
.
As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
no insistente perfume de alguma coisa chamada amor.

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